Por Giuliana Giordano
Muito tem-se falado ultimamente sobre o empoderamento feminino: das posições mais altas nas empresas e governos sendo aos poucos ocupadas por mulheres; ao reconhecimento da liberdade de tomarmos as próprias decisões em relação aos nossos corpos. Sei que ainda temos um longo caminho a percorrer nesse sentido, mas felizmente sinto que estamos seguindo na direção correta.
E, da mesma forma que optamos pelas áreas de atuação às quais queremos dedicar nossas carreiras, escolhemos as pessoas com as quais queremos nos relacionar, o local onde vivemos e as formas que queremos atuar na sociedade; uma das decisões de maior responsabilidade que tomamos na vida – a de ter filhos – também deve ser vista exatamente como isso: uma escolha.
É reconfortante observar o quanto avançamos nos aspectos de tecnologia e medicina, as quais hoje nos permitem considerar diversas opções para se construir uma família. O congelamento de óvulos, por exemplo, tem sido uma pauta cada vez mais presente nas conversas entre minhas amigas, assim como a fertilização in-vitro e outros métodos de reprodução humana também estão aos poucos deixando de ser tabus.
Mas antes de explorarmos as opções para identificar qual delas é a melhor para cada uma de nós dentro de nossas realidades, sinto que o primeiro passo, na verdade, deve ser dado para trás. Antes de qualquer coisa, é preciso fazer uma autoanalise para identificar se a vontade de construir uma família de fato existe organicamente dentro de nós, ou se ela nos foi instalada por influências externas.
Explico: a maneira pela qual fomos criadas e educadas nos fez acreditar que há um único mapa da vida a ser percorrido. Estudar, trabalhar, encontrar um(a) parceiro(a), casar e ter filhos – que por sua vez, terão seus próprios filhos – foi por muitas gerações considerado o caminho padrão, o esperado, o óbvio. E por conta disso, muitas vezes a escolha de não iniciar uma família ainda não é nem sequer vista como uma possibilidade.
Porém, acredito que a liberdade dessa escolha deve ser uma parte integrante na construção e manutenção do empoderamento feminino, e que tomar essa decisão racionalmente com certeza contribuirá para que muitos outros aspectos de nossa vivência fluam com mais naturalidade. Saber que o maior passo de nossas vidas foi dado após uma dedicada e responsável reflexão, sem dúvidas trará mais tranquilidade para tudo que virá a seguir.
Sei que encarar essa questão de frente pode ser bastante desafiador, e é natural que precisemos de ajuda. Gosto de pensar que o ponto de partida é uma boa conversa com as nossas amigas; afinal, são grandes as chances de que elas estejam passando por questões similares. Nesses momentos de incertezas, uma das coisas mais poderosas que podemos fazer é demonstrar apoio, carinho e compreensão umas às outras, escutando com atenção e opinando sem julgamentos.
O mesmo vale quando procuramos por atendimento médico. Poder encontrar profissionais dedicados, capazes de entregar informações com responsabilidade e que respeitem nossas individualidades, é um privilégio enorme e ao qual precisamos dar seu devido valor, principalmente quando pensamos no planejamento familiar.
E, para navegar por qualquer que seja o mapa de vida que cada uma de nós escolhe para si, o conhecimento e orientação de um especialista podem ser como uma bússola para nos guiar para nossos destinos de maneira confortável e segura. Claro que haverá obstáculos pelo caminho, assim é a vida. Mas estando munidas de inteligência, seremos capazes de retirar o navegador do automático e ativamente escolher nossas rotas.